

o que me fascina e me impulsiona nessa jornada tem a ver com o encantamento de modos de vida em constante reinvenção. na transversalidade, produzindo modos de existência que resistam às formas de dominação. movidos não pela manutenção da lógica dominante, mas pela sustentação de uma vida ética e de elaboração estética, criativa — na contramão do regime de controle, instituído e introjetado nos modos de existir, inclusive nas formas de conceber a clínica e a criação

"se quisermos apreender o que há de rico na história do movimento psicanalítico, é preciso apreender o que há de criativo, de inventivo, de romanesco, de fantástico, até de louco, na obra de freud. é toda essa dimensão de criatividade que nos remete ao paradigma estético"
félix guattari, 1992 [entrevista]
sobre
me chamo jeffe, trabalho na clínica psicanalítica-esquizoanalítica, realizando atendimentos individuais, em grupo e supervisão de casos clínicos [presencialmente em são paulo (sp), e online]. meu trabalho se sustenta em uma escuta atenta à singularidade e aos atravessamentos sociais, políticos e culturais que compõem cada experiência
essa escuta é atravessada e intensificada por uma trajetória teórico-prática no campo da arte, onde venho desenvolvendo experimentações que tensionam regimes normativos de corpo, desejo e identidade, especialmente a partir de expressões sexo-gênero dissidentes. a arte, aqui, não opera como ilustração, mas como campo de produção de sensível, de linguagem e de mundo — ampliando a experiência clínica
minha principal orientação na clínica é a esquizoanálise, perspectiva elaborada no contexto da efervescência sócio-cultural de maio de 1968, na frança, a partir do encontro entre o psicanalista-filósofo félix guattari e o filósofo-clínico gilles deleuze. a esquizoanálise promove uma inflexão crítica nos modos hegemônicos de aplicação e reprodução da psicanálise, tensionando concepções dominantes do inconsciente e da subjetividade, historicamente marcadas pela matriz colonial-capitalista
na produção teórico-clínica de guattari e deleuze, o inconsciente deixa de ser concebido como um espaço fechado e individual para ser compreendido como produção, atravessado por múltiplas forças — sociais, políticas, econômicas, estéticas e afetivas. a subjetividade, por sua vez, não é pensada como algo dado, mas como processo, sempre em relação, em constante composição com o mundo
essas intervenções clínico-políticas têm se desenvolvido principalmente nos campos da saúde, da ciência e da arte, tanto em contextos institucionais quanto pelas bordas. com um amplo aporte conceitual, clínico e filosófico, esse movimento segue expandindo e ressignificando as relações entre consciente e inconsciente, sujeito e subjetividade, dentro e fora, assim como entre micropolítica e macropolítica
a partir da esquizoanálise, proponho uma clínica menor, que se constrói no entre, apostando em uma prática multicomponencial, na qual o sensível, a criação e a experimentação operam como fios condutores. trata-se de uma clínica que não se orienta pela adaptação, pela normalização ou pela captura dos modos de existir, mas pela sustentação da diferença, da invenção e da produção de modos de existir
não poderia deixar de mencionar a relevância do aporte da redução de danos em minha trajetória. para além de sua aplicação na clínica, venho atuando em ações diretas em contextos de sexo químico/chemsex e outros eventos — espaços que nos convocam a pensar-agir práticas de cuidado, acolhimento e responsabilização social diante do uso e interação de substâncias. trata-se de sustentar uma ética do cuidado que não moraliza, não patologiza e não captura, mas que afirma a vida em sua complexidade, seus riscos e suas potências
meu trabalho se dirige a quem busca um espaço clínico que não reduza o sofrimento a categorias fixas, diagnósticos fechados ou modelos normativos de existência. um espaço onde seja possível experimentar formas de se relacionar consigo, com o desejo, com o corpo e com o mundo
se essas palavras te convocam, talvez possamos criar um território clínico juntos/as
formação
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mestrado em psicologia clínica (núcleo de estudos da subjetividade) - pontifícia universidade católica de são paulo
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especialização em lutas sociais e direitos humanos - centro de arqueologia e antropologia forense/universidade federal de são paulo
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análise institucional - instituto gregorio baremblitt
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formação em esquizoanálise - escola nômade de filosofia
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graduação em cinema e vídeo - faculdade de artes do paraná
contato
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